As dualidades da mulher moderna: carreira e maternidade

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A mulher ao longo dos anos tem participado cada vez mais do mundo corporativo. Dessa forma, a independência financeira e a autonomia tornaram-se conquistas importantes em suas vidas. O trabalho, assim como, o cargo ocupado e o reconhecimento profissional geram status social e um lugar de destaque para essas pessoas.

Além disso, a carga horária de trabalho está muito extensa. Pouco se tem tempo disponível para resolver problemas pessoais e, sequer, de estar em casa com a família. Há um crescente de mulheres que viajam com frequência a trabalho, o que torna a rotina diária ainda mais estressante e cansativa.

Mas, o que acontece quando essa mulher moderna e independente engravida e tem um filho?

Algumas mulheres vivem um dilema nessas situações. Como conciliar a carreira profissional, conquistada com muito esforço, e a independência, com a maternidade e a disponibilidade para cuidar do seu filho mais inteiramente?

Geralmente, as mães planejam retornar ao trabalho com o término da licença à maternidade fornecida pelas empresas. Porém, é cada vez mais comum ouvirmos histórias de mulheres que abandonaram suas carreiras profissionais, muitas bem sucedidas, para cuidar exclusivamente dos filhos e se tornarem mães em tempo integral. Há uma gama grande de mulheres que mantem o planejamento inicial e retornam ao mercado de trabalho, exercendo os dois papéis simultaneamente. Porém, nesse texto vou me ater àquele grupo que decidiu priorizar a função maternal ao invés da profissional.

Essas mulheres desejam participar ativamente da criação dos filhos, o que requer tempo disponível, fator geralmente escasso às trabalhadoras. Acompanhar as conquistas de cada fase, principalmente nos primeiros anos de vida. Cuidar, dar atenção, afeto. Ou seja, auxiliar no desenvolvimento emocional e físico dos pequenos.

Mas, como ser mãe em tempo integral? Como se sentem essas mulheres que largaram um
projeto de desenvolvimento pessoal para cuidar dos filhos? Para algumas mulheres essa decisão não é fácil e se mostra insuficiente para os projetos que construíram ao longo da vida.

Dificuldades encontradas

De acordo com uma pesquisa realizada pela UFRJ, algumas mães, com o passar dos meses após o nascimento, começam a se sentir sozinhas e sobrecarregadas com as tarefas domésticas. Isso pode gerar uma baixa na autoestima, com sentimentos de desvalorização, culpa, dependência financeira e emocional, solidão e, em casos mais sérios, depressão. Fatores que estão diretamente relacionados com o crescimento da criança que, ao longo do tempo, necessita menos da dedicação exclusiva da mãe. Outra dificuldade relatada é a falta do convívio com outras pessoas, assim como, a falta de assuntos diferentes para conversar, que não sejam relativos à vida doméstica e maternal.

Novas possibilidades

Há alternativas a ser utilizadas para que essas mulheres possam conciliar, pelo menos em parte, os papéis como mãe atenciosa e presente, com a vida profissional e social.

Uma forma possível é ingressar em algum curso, como os de idioma, computação, dentre outros que possam gerar interesse. Isso permite que ela conheça novas pessoas, troque experiências e, consequentemente, tenha novos assuntos e objetivos em pauta. Outra maneira pode ser retornar aos poucos para o campo de trabalho, realizando projetos curtos ou consultorias, abrir o próprio negócio, ou estudar para concurso público visando uma estabilidade na jornada de trabalho.

É importante essa mulher perceber que antes da maternidade ela possuía um foco específico no trabalho e sua energia era canalizada para esse fim. Porém, com a decisão de se tornar mãe, as prioridades mudaram, assim como a disposição, que passa a ser dividida entre diferentes papéis. Uma vez que ela tenha clareza disso, o nível de cobrança torna-se condizente com suas novas responsabilidades. Exigir-se perfeição em tudo leva a preocupações constantes e excessivas. É fundamental refletir e perceber que uma escolha foi feita. Por isso, cabe à mulher ser menos rigorosa consigo e se permitir passar pelos desafios naturais da vida de uma forma mais leve e plena.

É essencial que a mulher encontre também estratégias para facilitar a realização daquilo que deseja. Quase sempre não é preciso abrir mão inteiramente das atividades que lhe dão prazer. Ser mãe e cuidar de um filho pode ter uma importância grande, mas almejar outros projetos, além da maternidade, é saudável, o que não significa ser uma mãe menos amorosa e cuidadora e, portanto, não há com o que sentir-se culpada.

As pessoas são complexas e necessitam desempenhar diferentes papéis e funções ao longo da vida. Por isso, cada mulher deve encontrar seu próprio caminho na direção do que a faça mais completa, plena e feliz!

(Fonte: A Caminho da Mudança)

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